Carollina da Costa Barbosa

Pesquisadora – Professora – Escritora – Revisora – Mestra em Linguística Aplicada

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Páscoa, Pandemia e Renovação

Posted on 4 de April de 202130 de September de 2025 by carollinaterapeuta

Agora em março a pandemia de Covid-19 fez um ano e com ela vieram muitos desafios e mudanças. É certo e inegável a gravidade dos problemas sanitários mundiais que surgiram e aumentaram, mas nessa postagem irei focar sobre algumas questões emocionais pessoais que esse quadro trouxe, em especial a sugestão de um novo olhar sobre isso, ainda mais que já se passou um ano desde que tudo começou.

É natural quando algo impactante surge em nossa vida sem aviso ou planejamento nos sentirmos perdidos, assustados e até paralisados. O tempo passa, as necessidades de se readaptar se tornam cada vez mais urgentes e diárias e, como já era de se esperar de uma pandemia, nada irá sumir da noite para o dia. A humanidade e seus hábitos foram impactados — como sempre são em qualquer evento histórico — e é cada vez mais improvável voltar a viver como se “nada disso tivesse acontecido”. Mas, será que essa nova realidade seria tão ruim assim?

É natural do ser humano querer manter o que tem e vive, nem sempre por ser bom mas por já estar acostumado. Quando já temos todas nossas necessidades básicas supridas — alimento na mesa, teto seguro sobre nossas cabeças, higiene à vontade, contas pagas, — é preciso olhar para as outras necessidades humanas: as emoções. O emocional humano é muito rico e muito complexo, e justamente por isso é necessário olhar para essas questões de forma aberta. Se nossas emoções mudam, é indispensável renovarmos nossa visão sobre elas também.

Hoje é domingo de Páscoa, um grande convite à renovação no calendário festivo cristão, mas nada impede que quem não é ligado a essas festividades possa refletir também. Na verdade, mesmo quem festeja a data muitas vezes não reflete sobre ela, e isso estende meu convite com todo carinho para qualquer leitor que esteja lendo essa postagem hoje ou qualquer outro dia.

Há duas formas de ver a Páscoa: pelo olhar do sofrimento da crucificação ou pelo olhar do renascimento e renovação. Dessa forma, também há duas maneiras de vermos o momento que estamos vivendo: a tristeza de olhar para hábitos e rotinas que existiam e não podemos vivê-las ou a oportunidade de crescimento, aprendizado e refazimento que só uma situação tão atípica como essa pode trazer. Com o contexto cada vez mais acelerado que a humanidade têm construído, um momento de introspecção e quietude externa como esse tem muito o que nos ensinar, se estivermos abertos a aprender.

O luto, as questões de saúde… Isso sem dúvidas são pontos delicados que precisam de uma atenção maior e de uma postagem inteira só sobre esses assuntos. O que posso dizer sobre esses momentos é que, embora também sejam situações com grande potencial de renovação, não precisamos passar por esses momentos sozinhos. Mesmo sem a proximidade física, é essencial manter contato com uma rede de apoio de amigos e familiares queridos, além de buscar um profissional de confiança para te auxiliar nessa caminhada. Muitos estão atendendo online atualmente e indico uma busca no site Vittude para quem ainda não encontrou o seu.
Hoje a postagem é focada nas pessoas que têm como desafio a questão do isolamento social e as novas formas de contato exigidas pela pandemia.

Sobre estar na própria companhia

Já falei sobre esse assunto em uma outra postagem, mas continua sendo uma reflexão relevante.
Cada vez mais somos convidados a ficarmos na própria companhia, querendo ou não. Para alguns isso é motivo de sofrimento, para outros é um momento de respiro. Assim como a Páscoa ou a Semana Santa, é um momento de introspecção, uma oportunidade de (re)conhecer a si mesmo em cada detalhe sem rotas de fuga. É verdade que é uma oportunidade que surgiu de forma forçada, mas será que pararíamos se não fosse assim?
É o momento de rever os nossos hábitos, as nossas crenças… De repensar a vida que temos vivido até aqui, o que ela nos trouxe e o que queremos viver daqui para frente.
Podemos nos lamentar pelas vivências interrompidas, como na imagem da crucificação, ou podemos construir uma nova jornada de superação, aprendizado e renovação — renovando, inclusive, da nossa relação com nós mesmos. A escolha do caminho e sua concretização, como sempre, cabe apenas a nós mesmos.

Novas formas de viver

Já faz um ano que a internet é o local onde a vida social mais acontece. Embora essa nova vivência ainda seja muito criticada e de difícil aceitação para uns, outras pessoas descobriram na internet um mundo maravilhoso de conexões, laços, aprendizados, oportunidades profissionais… A democratização do acesso à conteúdos e espaços que antes eram fechados e até mesmo desconhecidos trouxe oportunidades incríveis para muitos, e isso é notável e louvável. O que acontece agora é que nossa responsabilidade sobre o conteúdo que acessamos e sobre o que compartilhamos aumentou. A internet não é mais “terra de ninguém”, agora é como andar na rua. Você pode visitar museus online, fazer cursos, ver palestras, encontrar amigos e familiares, buscar conteúdos que te elevem a alma, que te agreguem a vida; mas também pode encontrar muitas coisas desagradáveis ou vazias. É você quem escolhe, é você quem filtra, é você o responsável pelo conteúdo que deseja consumir.

Não só a internet fez essa responsabilidade visível, mas toda a nova forma de vida deixou clara a necessidade de tomarmos responsabilidade por nossos atos e escolhas. Essa responsabilidade sempre foi necessária e sempre existiu, mas só agora se tornou evidente, até porque, nesse momento, nossos atos e escolhas podem custar a vida de alguém. Assim como na Sexta-Feira da Paixão. Mesmo sendo uma profecia, foi a voz do povo que escolheu crucificar Jesus. Me perguntou se hoje em dia seria muito diferente…

O contato online, a responsabilidade visível por nós mesmos e pelo próximo… São só algumas das mais diversas formas de viver que se apresentam durante a pandemia para todos nós. Mudanças semelhantes, mas de diferente impacto e resultado, dependendo da forma de como cada um de nós lida com elas. Novamente, podemos escolher focar no sofrimento ou na luz do aprendizado, essa escolha é pessoal e seus resultados são visíveis na forma como levamos nossa vida diária. Seja a partir de hoje ou há um ano atrás.

Se renovar sem culpa

Por que não tentarmos tirar o melhor do que a vida nos dá, independente das circunstâncias? De nenhum modo isso quer dizer que não haja respeito ou compaixão pelo que o mundo e tantas pessoas a nossa volta estão vivendo, mas entrarmos em um sofrimento que não é nosso não diminui o sofrimento do outro, pelo contrário, só aumenta o sofrimento geral.
Com duas pessoas em sofrimento, quem irá ajudar para que isso acabe ou se acalme? É preciso uma pessoa de pé para ajudar outra a se levantar.

Assim como na Páscoa, no Natal, ou em qualquer outra data, a Gratidão é uma ferramenta potente em termos de renovação que, de preferência, não limitamos às datas festivas. O hábito diário da gratidão é capaz de transformar a nossa visão de vida e de mundo de maneira muito profunda.

Se você tem internet para ler essa postagem, é sinal de que suas necessidades básicas estão supridas e você tem recursos financeiros a mais que te permitem bancar esse consumo extra. E se você tem todas as suas necessidades básicas sendo supridas nesses tempos de escassez e dificuldades, você faz parte de uma porcentagem privilegiada da humanidade. Essa posição de privilégio deve ser reconhecida com gratidão e desfrutada com sabedoria, principalmente através da partilha. Partilha material, para quem tem mais do que o suficiente, mas também partilha de amor, fraternidade, gratidão e acolhimento. Compartilhar com o outro aquilo que gostaríamos que compartilhassem conosco.

Partilhar também é uma forma de se renovar, porque ao partilhar você reconhece o que tem dentro de si (ou em sua casa) e escolhe com consciência aquilo que deseja multiplicar. E o que multiplicamos do lado de fora também é multiplicado dentro de nós. Que este seja não só um dia, mas um momento de vida de renovação para todos nós, na constante caminhada de sermos melhores a cada dia, aprendendo, crescendo e se renovando sempre.

Feliz Páscoa!

Category: carollinaterapeuta

2 thoughts on “Páscoa, Pandemia e Renovação”

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