Em Plano Sequência, Glaucia Ank narra, em verso e prosa, cenas e momentos cotidianos que vão desde o universo particular de seus pensamentos até caminhadas com pôr do sol, sem deixar de lado a vista de sua janela. São poemas, contos e crônicas que, divididos em três momentos — Primeiro plano; Curta metragem e Panorâmica — se mostram como verdadeiras fotografias de palavras registradas pela percepção do olhar da autora sobre a vida que a cerca.

Em Primeiro plano somos apresentados a uma sequência de poemas que se passam dentro de um espaço físico e existencial particular, como um quarto ou a própria mente, que trazem consigo a poesia dos detalhes escondidos de um cotidiano ordinário acompanhado de cafés e plantas.

Em Curta-metragem encontramos crônicas e contos com cenários cotidianos e bem atuais, como home office, pandemia e Ifood, acompanhados de inquietações igualmente atuais disfarçadas por belezas simples, além de ter os verões do Rio de Janeiro como pano de fundo de algumas histórias.

Em Panorâmica temos mais uma sequência de poemas, porém finalizada com uma crônica que convida o leitor a pluralidade dos ressignificados através de releituras e revisões do que ele possa considerar como já conhecido. Como leitora, adorei o convite. Não só para o próprio livro da Glaucia, como também para outros que já li há tempos. E, claro, para minha janela.

As lentes do olhar da autora estão sempre voltadas para as possibilidades escondidas no que é simples. Reflexões profundas sobre a existência do trivial conectam todas as 162 páginas do livro. Prefaciado por Mell Renault, Plano Sequência é um livro de cotidianos e detalhes que nos chamam para um close da nossa própria rotina em busca das pequenas poesias que nos cercam.

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