Vi esse filme pela primeira vez recentemente com meus alunos de conversação do curso onde trabalho para refletirmos, de forma lúdica, sobre os excessos da indústria e da tecnologia na natureza e, em especial, na produção de alimentos.

O filme fala sobre um rapaz que, pensando em melhorar sua vida e a vida de sua família, decide sair do campo para a cidade com um produto inovador. De início ele não tem sucesso, mas depois fica muito famoso. A ganância lhe enche os olhos e, quando se dá conta, destruiu toda a natureza à sua volta na tentativa de saciar o insaciável. Ficou miserável e estragou o planeta. Lorax é um guardião da floresta que tenta alertá-lo, sem sucesso. Se aproveitando da situação, um rapaz começa a comercializar ar puro em garrafas e fica milionário, porém um garoto descobre que existe uma última semente de trúfula — o tipo de árvore da história — e decide plantá-la. Começa, então, sua saga para conseguir a semente (guardada pelo rapaz arrependido do início do filme) e plantá-la em sua cidade feita de máquinas e ar falso. Na tentativa de mostrar a importância do que estava fazendo para os outros moradores, ele derruba as paredes da cidade (cena que me lembrou muito o filme O Show de Truman) e, ao verem um mundo cinza, os moradores coloridos decidem plantar a semente e multiplicá-la.

O filme é um desenho animado, mas está longe de ser apenas para crianças. Vi com alunos adultos — e eu, particularmente, adoro desenhos animados — e fizemos relações interessantíssimas com a produção de alimentos geneticamente modificados, exploração ambiental, alienação social, monopólio empresarial, sistemas econômicos… Foi muito rico! Essa experiência reafirmou em mim o que eu já suspeitava: que o entendimento depende muito mais dos olhos que veem do que do objeto visto. Um desenho animado caricato provocando reflexões complexas em adultos. Tudo depende da nossa bagagem e do quão dispostos estamos a aprender com o que nos é apresentado.

Recomendo esse filme para quem gosta da temática ambiental e quer refletir sobre o assunto de forma lúdica, ou mesmo provocar essa reflexão nas crianças.

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