Carollina da Costa Barbosa

Pesquisadora – Professora – Escritora – Revisora – Mestra em Linguística Aplicada

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2022, antes e depois

Posted on 1 de March de 20231 de March de 2026 by Carollina da Costa Barbosa

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Grande parte das histórias que me trouxeram até aqui já foram contadas diversas vezes em diversos textos e diferentes. Minha principal intenção em compartilhar mais um texto é dizer a você, leitor ou leitora, que o destino que os outros projetam para nós é apenas ideia dos outros, sem nenhuma razão para aceitarmos tais profecias alheias.

Iniciar minha graduação numa universidade federal foi um grande marco, mas vamos começar do começo. Com um núcleo familiar composto por cinco pessoas, minha (agora falecida) avó e minha mãe foram as que sempre viram a educação como O Meu Grande Caminho. Não que as outras pessoas não quisessem o melhor para mim, pois fui abençoada com uma família que, acima de tudo, sempre desejou minha felicidade. Mas cada um tem sua versão sobre o que é ser feliz e os problemas surgem quando se acredita que a sua versão é a única possível.

Fora do núcleo familiar, muitas ideias se replicavam: casar, ter filhos, ter dinheiro. Não necessariamente nessa ordem — dependendo da pessoa, o dinheiro deveria vir primeiro —, mas todas eram versões mais ou menos elaboradas dessa mesma tríade. Nenhuma envolvia carreira, por exemplo, nem liberdade ou paz de espírito. Todos os caminhos para uma suposta felicidade estavam reduzidos aos papéis sociais de gênero e a melhor posição de retorno financeiro para serem cumpridos.

Quando entrei para o ensino médio começaram as expectativas para que eu cumprisse o meu primeiro papel social e surgisse com um “namoro sério”, que não aconteceu — e nem posso dizer que eu o buscava. Desde bem pequena eu via a escola como o espaço onde eu me sentia segura, não tanto pelos colegas, mas principalmente pelos professores e pedagogas. As matérias de humanas e linguagens sempre foram minhas maiores notas, o meu gosto pela leitura e pela escrita já existia e, mesmo quando eu não lia os livros obrigatórios, eu estava lendo alguma coisa que tinha sido mencionada em alguma aula.

Não passei para a universidade de primeira e entrei para um pré-vestibular. Percebi a incredulidade de muitas pessoas quanto ao meu “destino educacional” e a ansiedade porque eu ainda não tinha “parado com ninguém”. Enquanto isso, minha avó e minha mãe continuavam investindo nos meus estudos e com ainda mais esperança. Se eu fechar os olhos agora, ainda posso ver as lágrimas de alegria da minha avó quando soube que eu tinha passado para uma universidade federal.

Uma “amiga” da época, que conseguiu passar para a universidade em sua primeira tentativa, ao saber que eu ia fazer pré-vestibular para continuar tentando, me disse: “Por que você ainda tenta? Seu lugar não é lá”. Para ela e muitas outras pessoas que me cercavam, quem não passava de primeira não entrava nunca mais. Nossa amizade não durou muito depois desse dia. Hoje, enquanto me vejo seguindo carreira numa universidade que “não era o meu lugar”, soube por terceiros que ela já passou por três graduações e continua sem um norte. Não fico feliz por isso, bem ao contrário. É mais uma mulher que, a fim de tentar cumprir com infindáveis expectativas sociais, se perdeu de si mesma.

Sabemos que existem questões sociais que limitam profundamente a liberdade de escolha individual, e quando você é mulher ainda tem a sombra do papel social que te segue até você cumpri-lo. Um papel que envolve abraçar tudo e todos, menos a si mesma e seus próprios sonhos.

Mais próxima dos 30 do que dos 20, estou naquela idade em que as mulheres são divididas entre aquelas que já cumpriram seu papel social de gênero (vulgo casar e ter filhos) e as que deveriam correr contra o tempo para cumpri-lo.

Se eu me privaria de casar e construir uma família? De jeito nenhum.
Se eu correria para casar e ter filhos acreditando que, ao cumprir com essa demanda, estaria feliz e em paz? De jeito nenhum.

Aprendi muito cedo — e minha afinidade com as filosofias orientais têm um importante papel nisso — que felicidade e paz são estados internos, não são “presentes” que posso comprar ou que alguém pode me dar. Colocar nossa felicidade e paz em algo externo a nós, especialmente se esse algo for uma outra pessoa, é a receita certa da insatisfação. Ninguém é responsável por preencher nossos vazios, tanto quanto não somos responsáveis por preencher o vazio de ninguém. Tenho na escrita, na leitura e nos estudos algo singularmente. Faz parte da minha liberdade de existir no mundo, e minha liberdade não é negociável.

Hoje, quando olho para trás, fico feliz pelo caminho que trilhei. Ao olhar para frente, vejo a longa estrada que ainda me espera e, com sorte, sendo a “quebra de expectativa ambulante” que certa vez me apelidaram, justamente por eu não caber dentro das caixas que sempre me ofertaram.

Category: Crônicas

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