Esses dias estava relendo alguns dos meus textos (1, 2, 3 e 4) e pensando em como a vida se encarrega de levar ou trazer as pessoas certas para os nossos caminhos. Em resumo, pessoas com boas ações são raras, mas pessoas de bom coração são mais raras ainda. Sou grata por aquelas que, genuinamente, continuaram ao meu lado desde o começo de minha jornada. E isso tudo me fez lembrar também do poema “Amor Próprio” que tenho no meu livro “Sobre o Amor” (2021). Amor-PróprioE seja seu dizerSim, simNão, nãoPorque o mais difícil não é agradarÉ estar em paz com o que se fazÉ dormir e acordar sem o pesarDe se autoenganar sem razãoPorque, em verdade, o tempo passaE não há maior alívioDo que saber queApesar de todas as companhiasVocê sempre estará consigoE por não largar da própria mãoAprende a segurar melhor a do irmãoAté expandir De Eros à ÁgapePor finalmente entenderQue não há amor pelo outroSe antes não houver amor por si
Month: March 2026
No fim, a rede social é uma ilusão
Depois do que me aconteceu em 2023 — e sabe-se lá por quanto tempo já estava acontecendo —, muito da minha postura nos espaços virtuais mudou. A mudança foi tanta que uma dissertação de mestrado surgiu no meio disso tudo. Três anos depois eu confirmo: foi mesmo um caminho sem volta. Ao observar professores e estudiosos da minha área, percebi que eles não dão qualquer ênfase à esses espaços senão para uso pessoal. Um ou outro divulga seus trabalhos, mas nem de longe é o centro de suas atenções. Isso me fez refletir sobre como cheguei até aqui, onde estou e o que pretendo fazer depois. Eu existo nesses espaços para assegurar minha presença virtual, e continuo vendo hoje o mesmo comportamento que eu vi naquela época e relatei em minhas pesquisas:interações mediadas por interesses específicos, em que a aparente união disfarçava rivalidades e instrumentalizações (p.52). Observo que é um padrão de comportamento extremamente comum nos usuários desses espaços. Nada vai mudar e, ao meu ver, as atualizações das redes tendem a aumentar o afastamento humano entre seus usuários. Meros instrumentos foi o que nos tornamos ali. Dedico ao meu site e minhas atividades offline a maior parte do meu tempo, e o pouco que participo do universo online será para reiterar o offline da forma mais segura possível.
De vítima à assassina: uma narrativa de subjugação da mulher através da personagem “Angel” da novela “Verdades Secretas”
Já está disponível meu texto “De vítima à assassina: uma narrativa de subjugação da mulher através da personagem Angel da novela Verdades Secretas” publicado na coletânea Estudos Narrativos a Respeito de Produtos Culturais pela Editora Bagai. Leia aqui
A “criança estranha”
Ao crescer, ouvia de alguns adultos com os quais era obrigada a conviver que eu era uma “criança estranha” porque não era “simpática o suficiente” e não “jogava conversa fora”. Bom, ser uma “criança estranha” foi a melhor escolha que fiz pela saúde mental da minha vida adulta! Hoje, após completar 30 voltas ao redor do sol, digo com segurança que não me perdi de mim mesma nessa jornada, que não floresceu em mim nada que já não estava em mim de alguma forma. Afinal, não é possível colocar para fora algo que não está do lado de dentro. Se eu pudesse voltar no tempo, seria mais estranha ainda pois nada nunca me interessou dos “normais”. Por essas e outras, compartilho aqui meu poema “Criança Estranha”, que faz parte do meu livro O Singular do Dual (2024). Criança EstranhaHavia uma criançaque adulto nenhum conseguia entenderse não fosse professorHavia uma criançaque só amava seus paise tolerava todo o restoque eles toleravam tambémHavia uma criançaque aprendendeu os códigosdo narcisismo e do fútilmuito cedoe guardou cada umcomo o corpo guarda o virus de uma vacinaHavia uma criançasilenciada na vozmas solta na palavraque fez do papel e do lápisseus melhores amigosÀs voltas do tempohá uma pessoa adultacercada de professores, autoresque baniu atorese a única voz que escutaé a de seus paise seu eu-criança
Aos meus pais, do livro “Variados Poemas” (2022)
Se sou quem eu sou e estou onde estou, houve antes quem abrisse caminhos, arasse a terra, fertilizasse as ideias e fornecesse estrutura para o crescimento. Do meu pai herdei os silêncios mais profundos que já conheci e a poética que, de maneira silenciosa, traça meus caminhos. Herdei a música, a escrita e uma mente que corta seu próprio silêncio com lâminas de luar. Da minha mãe herdei a liberdade compartilhada, pois, como já disse Beauvoir, “Querer ser livre é também querer livres os outros”. Herdei uma liberdade que não se restringe ao corpo nem à geografia, que prefere uma consciência tranquila, um coração pacífico e uma alma leve. Aos meus pais e aos pais deles, dediquei o poema “Ancestrais” que está presente no meu livro “Variados Poemas” (2022) AncestraisQuando a dor é grandeE não se sabe lidarNem se tem instrução para falarNão sofreram só aquelesQue tiveram seus cantos ouvidosMas também os silenciadosA ponto de entenderemComo ancestraisApenas seus próprios paisMas quem sabeQuem vem depoisNão deveria tentar destrancarO passadoDado por acabado
