Se sou quem eu sou e estou onde estou, houve antes quem abrisse caminhos, arasse a terra, fertilizasse as ideias e fornecesse estrutura para o crescimento. Do meu pai herdei os silêncios mais profundos que já conheci e a poética que, de maneira silenciosa, traça meus caminhos. Herdei a música, a escrita e uma mente que corta seu próprio silêncio com lâminas de luar. Da minha mãe herdei a liberdade compartilhada, pois, como já disse Beauvoir, “Querer ser livre é também querer livres os outros”. Herdei uma liberdade que não se restringe ao corpo nem à geografia, que prefere uma consciência tranquila, um coração pacífico e uma alma leve. Aos meus pais e aos pais deles, dediquei o poema “Ancestrais” que está presente no meu livro “Variados Poemas” (2022) AncestraisQuando a dor é grandeE não se sabe lidarNem se tem instrução para falarNão sofreram só aquelesQue tiveram seus cantos ouvidosMas também os silenciadosA ponto de entenderemComo ancestraisApenas seus próprios paisMas quem sabeQuem vem depoisNão deveria tentar destrancarO passadoDado por acabado