Ao crescer, ouvia de alguns adultos com os quais era obrigada a conviver que eu era uma “criança estranha” porque não era “simpática o suficiente” e não “jogava conversa fora”. Bom, ser uma “criança estranha” foi a melhor escolha que fiz pela saúde mental da minha vida adulta! Hoje, após completar 30 voltas ao redor do sol, digo com segurança que não me perdi de mim mesma nessa jornada, que não floresceu em mim nada que já não estava em mim de alguma forma. Afinal, não é possível colocar para fora algo que não está do lado de dentro. Se eu pudesse voltar no tempo, seria mais estranha ainda pois nada nunca me interessou dos “normais”. Por essas e outras, compartilho aqui meu poema “Criança Estranha”, que faz parte do meu livro O Singular do Dual (2024). Criança EstranhaHavia uma criançaque adulto nenhum conseguia entenderse não fosse professorHavia uma criançaque só amava seus paise tolerava todo o restoque eles toleravam tambémHavia uma criançaque aprendendeu os códigosdo narcisismo e do fútilmuito cedoe guardou cada umcomo o corpo guarda o virus de uma vacinaHavia uma criançasilenciada na vozmas solta na palavraque fez do papel e do lápisseus melhores amigosÀs voltas do tempohá uma pessoa adultacercada de professores, autoresque baniu atorese a única voz que escutaé a de seus paise seu eu-criança