grade de montagem

Por que eu não escrevo mais “ficção” e estou republicando meus livros antigos?

Depois do que me aconteceu em 2023 eu refiz toda minha relação com o universo virtual de tal forma que transformei tudo isso em uma dissertação de mestrado. E sigo cada vez mais analógica no meu dia a dia, porém aprofundando meus estudos sobre essa “terra de ninguém” chamada internet e suas peculiares redes sociais.

Nas últimas semanas participei de congressos, minicursos e outros eventos relacionados ao desenvolvimento da Inteligência Artificial em diversas frentes e é triste constatar a crescente desimportância da autoria. Não é só sobre retorno financeiro porque, salvo pouquíssimas exceções, artista nenhum em nenhuma época da humanidade foi justamente reconhecido ou remunerado por suas criações.

Convém cada vez mais que o trabalho mecânico e repetitivo, pouco criativo e menos ainda crítico, seja feito pelos seres humanos. Afinal, relembrando Foucault, mentes dóceis são ainda mais fáceis de dominar do que corpos.

Há poucos dias me deparei com uma postagem alarmante de uma artesã denunciando lojas virtuais que replicaram seus trabalhos com o uso de IA e estão monetizando desde imagens de divulgação até a fabricação dos produtos em si. Claro, recriaram as fotos para evitar processos jurídicos de uso indevido da imagem de outrem, porém não temos leis que intervenham prontamente sobre os direitos de comercialização de um produto que, em teoria, pode ser massificado — pois é assim que nosso sistema econômico funciona, através da massificação. Socioeconômico, eu diria.

Agora, respondendo a pergunta do título que nem todos me fazem diretamente, mas sempre tem algum passarinho para me contar as novidades: toda minha criatividade está voltada para o único lugar onde encontrei segurança e respeito por minhas ideias, a Academia. É no mundo acadêmico onde autoria e referências são rigorosamente levadas a sério e imprescindíveis de serem citadas. É no meio acadêmico onde você pode discordar totalmente de uma ideia, uma pesquisa, ou mesmo de uma pessoa e ainda assim irá respeitá-la e respeitar seu espaço, pois se vocês compartilham o mesmo título é porque de alguma forma possuem a mesma relevância e, logo, merecem o mesmo respeito. A Academia é considerada um espaço de egos inflados, mas acredito ser uma vaidade justificada. Décadas de dedicação em uma carreira consolidada não podem competir, ao meu ver, com lista de likes e seguidores de redes sociais que sequer sabemos se são humanos de verdade ou códigos de ilhas de bots.

Relanço meus livros porque quero, simples assim. Sempre tive o hábito de engavetar minhas criações e expresso isso nas apresentações dos livros que publiquei, então não há nenhuma novidade para quem já me acompanhava. Além do mais, “a internet e as redes sociais também são um espaço sem segurança ou monitoramento no qual frequentemente ocorrem apropriações indevidas de conteúdo” (Barbosa, 2023, p.50).

Definitivamente não sinto falta desses espaços. Um site basta, é mais do que suficiente. De resto estou por lá apenas para observar e tomar notas.

Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um caderno debaixo do braço

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